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IGREJA DA MISERICÓRDIA – Olinda

By 3 de fevereiro de 2020 No Comments

Igreja da Misericórdia

Verdadeira ou não a história do donatário português ou a do seu criado galego gritando Oh linda! , a situação da cidade fundada por Duarte Coelho é realmente linda. É uma cidade de montes. Mas nenhum tão alto que seja uma penitência subir devagar, num fim tranquilo de tarde pernambucana, à igreja da Misericórdia, à SÉ, ao convento dos Franciscanos, ao antigo Colégio dos Jesuítas e hoje Seminário; ou ao velho e simples solar dos bispos, com sua varanda toda revestida de azulejos, espécie de tribuna aberta aos clamores do povo aonde outrora deve ter ido muitos cristãos desesperados da justiça do século, queixar-se à do bispo.

 

A primeira igreja da Misericórdia data de 1599; tanto que na atual se conservam as armas de Dom Sebastião, Rei de Portugal; no púlpito se vêem ainda as armas da casa d´Austria; e ao antigo inspetor estadual de monumentos de Pernambuco, o professor Annibal Fernandes, que em 1929 apresentou ao secretario da Justiça do governo que estabeleceu o mesmo serviço – o governo que estabeleceu o mesmo serviço – o governo de Estacio de Albuquerque Coimbra –

 

 

 

 

O arco do altar-mor é bonita obra de talha, ainda que talvez um tanto sobrecarregada: mas esse sobrecarregado de enfeites, se desagrada aos olhos habituados a artes mais finas, tem também seu encanto;  e é de certo um dos característicos da arte mestiça, não só brasileira como portuguesa, da época. Os devotos novos-ricos de Olinda, como os da Baía, só fizeram acentuar uma tendência que já vinha de el-rei Dom Manuel.

Também merecem atenção, na Misericórdia, as sanefas das portas; e na sacristia, as cômodas de jacarandá e a pia de pedra portuguesa. Ainda na igreja, deve-se olhar para os painéis de azulejos. Alguns dos azulejos repare o turista que estão de propósito arranhados em certos pontos: naquele em que os anjinhos bochechudos estavam anatômicamente completos.

 

Seja dito de passagem que as boas freiras – cujo colégio é talvez  o melhor de Olinda, para a educação de meninas, sem dúvidas por falta, não tanto de orientação artística como de sentimento de tradição luso-brasileira, muito estragaram a fisionomia do alto da Misericórdia – um dos montes mais característicos de Olinda, com o edifício novo, que ali ergueram em desarmonia gritante com a velha igreja.

 

 

 

 

 

 

 

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